quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Espreite os novos

Como é contagiante a inocência de uma criança. Me detive numa citação de Jesus, contida no evangelho de Mateus: "Quem se faz pequeno como uma criança, este é o maior no Reino dos Céus". Esquecemos disso pois crescemos. Crescemos e nos assemelhamos aos nossos domesticadores. Damos lugar ao "algo" que pensamos ser.

Espreite os novos, porque o brilho de seus olhos contagiados pela novidade, desembrutece o espírito dos que estão acostumados.


Pablo Zahav

Disposição para perder

Nas luas minguantes, podamos os excessos. Nesse período sempre é favorável buscarmos o simples que muitas vezes não enxergamos, pois ficamos presos em dramas existenciais complexos. Para o homem de hoje, não existe uma linha que separe a ira e o vigor sagrado, das reatividades cotidianas. Antes do primeiro passo, faz-se necessário o esvaziamento do "conteúdo domesticado" (yêsh). Revelar nossa essência depende dessa extração dolorosa. A liberdade depende do quanto estamos dispostos à perder.


Pablo Zahav

Ceder ao medo


O "medo" é uma das maiores características nas esferas da alma de um homem comum, que o paralisa e cristaliza suas impressões de mundo. Saber o que é coerente com os desígnios do Sagrado nem sempre é muito simples, pois as "cascas que brilham" são muito ardilosas nos fazendo crer com toda certeza numa mentira.


Pablo Zahav

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entregar-se aos cuidados


Durante o mês de Kislev, aprendemos que a Mazal Keshet (Constelação de Sagitário) representa um grande pacto do Guerreiro cultivado em Mabul (Mês de Escorpião). Foi um momento muito denso que passamos na Lua de Akrab (Escorpião), e a questão crucial que fomos envolvidos nessa influência, foi a de abdicar das questões mais cristalizadas e estagnadas de nossas vidas.

Para toda aliança ou pacto pressupõe uma obediência. Num casamento, o casal obedece as regras do matrimônio. Casar-se significa coabitar, estabelecer uma relação de intimidade e ser fiel ao outro. Com o Sagrado não é diferente. Além dessas características, o Arco (arquétipo dessa aliança) só se torna uma arma no momento em que uma flecha é tensionada e apontada numa direção. Essa flecha é o próprio Intento que assumirá a forma da Cabra (animal indomável) no mês seguinte (Tevet). Teremos muito trabalho pela frente.

O nome "Kislev" é de origem acadiana (kislimu). Existe uma relação entre essa palavra com a palavra hebraica "bitachón" (confiança). A confiança em Kislev é estabelecida basicamente por duas características: a energia (vitalidade) e o foco (potência direcionada). Confiar é "entregar-se aos cuidados". O naví entende que o melhor cuidado que possamos receber está disponível na natureza nas suas mais diversas formas. Um mecubel (cabalista) só se conecta com essa cura em potencial quando ele aplica sentido ao seu mundo.


Pablo Zahav

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os caminhos da Cura


Todos os dias de nosso calendário servem como um mapeamento dos passos do cabalista. A cada mês nos submetemos à uma influência astrológica, e nela nos apoiamos para que a Cura penetre em nosso espírito. Restaurar-se para uma existência integral é a maior das aspirações do naví (inspirado). Essa tão almejada "cura", nos chega através de determinadas influências, que a tradição chamou de "mazalot" (constelações). No mês de Mabul, a constelação se assemelha ao Escorpião, aracnídeo de grande destreza e força. Antigamente, dava-se muita importância à esse animal dentro do universo do homem semi-nômade de nossa tradição. Dentre as principais influências dessa constelação, destaca-se a capacidade de quebra de "antigos recipientes"


Pablo Zahav

sábado, 22 de outubro de 2011

Inspirado, capaz de buscar


Para a "Massôret Naví" (Tradição Naví), um cabalista que aspira se tornar um guerreiro poderoso deverá enfrentar o primeiro grande desafio: vencer à si mesmo. Cada alma humana carrega uma coleção de precariedades que precisam ser corrigidas ao longo do percurso espiritual. Inúmeras forças opositoras se apresentarão diante dele refletindo diretamente em sua visão de mundo. Quando forjado nas 10 virtudes essenciais de nossa tradição, ele se torna um "guibor", ou seja, um "homem capacitado". Transcender os aspectos deturpados da realidade se torna perfeitamente possível.


Pablo Zahav

domingo, 16 de outubro de 2011

A ação do aprendizado


É chegado o momento de reiniciarmos o estudo da Torah. Como sabemos, o aprendizado representa um dos pilares de nossa tradição conhecido como "ma'assê lemidah" (a ação do aprendizado). Na história que é narrada anualmente pelo nosso calendário, isto está muito bem representado nas letras que compõem o astro e a constelação desse mês de Tishrei (as letras pei e lámed). A letra pei (פ) é a "boca" que narra a sabedoria de nossa tradição, enquanto que o lámed (ל) é a letra que encerra o texto da Torah.


Pablo Zahav